sábado, 4 de Abril de 2009

Ordem dos Psicólogos


Há uns bons meses que a Ordem dos Psicólogos foi aprovada em Assembleia da República, mais especificamente em Julho de 2008 e apareceu em Diário da República em Outubro do mesmo ano. Consultem a legislação AQUI
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Entretanto, a nossa Ministra da Saúde já ultrapassou largamente o prazo legal para a nomeação da Comissão Instaladora e, quase um ano depois da aprovação, permanecemos na ignorância. Ao que parece, está para breve... resta-nos esperar, aliás uma das melhores coisas que nós sabemos fazer.
Ainda a Ordem não está em pleno funcionamento e já existem muitas controvérsias acerca dos progressos que a mesma trará ou não ao estado da Psicologia em Portugal. Há quem defenda que a Ordem trará de facto (e passando a redundância) alguma ordem à verdadeira desregulação a que se assiste, mas também há quem faça referência a interesses internos de uma pequena percentagem de psicólogos, e que apenas levarão a mais exigências áqueles que apenas pretendam entrar no mercado de trabalho.
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Uma coisa é certa. Nós, psicólogos, sofremos de um grave problema, chamado de desunião. Temos uma tendência repetitiva de pensar individualmente e esquecer o colectivo. Isso é visível por exemplo em manifestações, em que aparecem sempre meia dúzia de gatos pingados. Não defendemos os nossos interesses, temos ainda um complexo de inferioridade que não nos permite valorizar o nosso trabalho junto de outros profissionais, disputamos as diferentes especialidades, queremos fazer o trabalho uns dos outros e aceitamos ou mesmo submetemo-nos com muita passividade às situações mais caricatas que nos vão aparecendo (mas isto dará outro post).
Isto para dizer que, já que não nos sabemos ainda defender, tenho esperança (é esta a palavra certa) que com a criação da Ordem possamos ganhar a pouco e pouco um espírito de união que unifique e conduza a maioria dos colegas no mesmo sentido. Só essa união permitirá gerar mudanças significativas na verdadeira regulação da nossa profissão. Ou seja, a Ordem poderá permitir esse arranque, mas somos nós, e "apenas" todos nós que podemos fazer a diferença.
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Para começar, deveremos estar a par dos desenvolvimentos da Ordem e não entrar numa espécie de alienação. Isso permitir-nos-à ter dúvidas, pedir esclarecimentos, reinvindicar o que possa ser injusto ou desadequado e acima de tudo fazer parte deste processo, fazer parte da Ordem, para além do número da cédula profissional.

terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Carteira Profissional...


Quando me dirigi à Inspecção Geral de Trabalho (IGT) para levantar a minha carteira profissional, não resisti em perguntar à pessoa que me atendeu, porque motivo passam a carteira com actividade de psicólogo a psicopedagogos. Para meu espanto, foi-me explicado que não está previsto a existência de carteiras profissionais a psicopedagogos, e como tal...passam como psicólogos. Ou seja, os psicopedagogos não têm direito a uma carteira profissional de acordo com a sua profissão e, como se não bastasse, são incluídos noutra categoria. Ao dialogar um pouco mais, mesmo porque a senhora até era simpática, expliquei que não percebia o motivo de tal acontecer e que isto reflecte sem dúvida alguma a confusão que ainda permanece quanto à nossa actividade, mesmo em entidades como a IGT. Segundo ela, são ordens expressas e sempre que um psicopedagogo se dirige à IGT eles têm de lhes passar a carteira de psicólogos.

Assim, foi-me aconselhado fazer uma exposição da situação à directora do local, a Dra. Fátima Pisco. É isso que farei e conto com a vossa colaboração. Se se quiserem unir a esta pequena causa, enviem para a Av. 5 de Outubro nº321 em Lisboa. Está em causa a usurpação desta profissão, enquanto constante depósito daquilo que não sabem ou não querem definir.

Saudações a todos!

sábado, 11 de Agosto de 2007

Eu sei que tu sabes que eu sei

"Concurso externo para técnico superior de 2ªclasse: Psicólogo". Com alguma frequência o Diário de República vai-nos mantendo actualizados quanto às vagas que surgem para colocação de Psicólogos nas mais diversas Câmaras Municipais do país. Com cada novo concurso, sabemos que mais um psicólogo terá a oportunidade de exercer a sua profissão, e à partida poderíamos ficar satisfeitos por saber isso.
No entanto, já vos deve ter acontecido, que de cada vez que dizem que vão concorrer, um sem número de vozes menciona "não vale a pena sequer concorrer, o técnico já lá está e o concurso serve apenas para oficializar a situação". Centenas de pessoas mais persistentes lutam contra essa corrente e até ao dia X enviam a carta registada com aviso de recepção (que não é muito barata), na crença de que naquela autarquia talvez as coisas sejam diferentes.
De facto, não é por acaso que ouvimos as tais vozes. Elas, pelo menos em grande parte, têm razão. Mas também não é por acaso que tantas pessoas continuam a concorrer.

É legitimo que queiram manter um estagiário que fez um bom trabalho num município. Só não o é a partir do momento em que se prejudica todas as pessoas que pelo processo normal estão a concorrer. Deslocam-se pelo país, fazem provas escritas, entrevistas e tudo isto para disfarçar algo que já está decidido. Não são apenas os psicólogos que estão a ser enganados nestes casos. As próprias pessoas que têm o trabalho de fazer a "selecção" não têm o poder de actuar de outra forma.
A questão que me coloco é: se eu sei que tu sabes que eu sei...ou seja, se todos sabemos, porque é que se continua neste silêncio tácito? A resposta que normalmente recebo imediatamente é: "porque é obrigatório" ou então "tem de ser assim porque está na lei".

As leis servem para o estabelecimento de normas e regras que visem os interesses da população, e estas mesmas leis estão sempre a mudar de acordo com a evolução do próprio país. Porque não dizemos: "é obrigatório oficializar o concurso, mas se mostrarmos a nossa insatisfação, mais tarde ou mais cedo essa lei poderá mudar?". Se assim fosse, existiriam menos concursos externos, mas os que existissem seriam para colocar o profissional que através do verdadeiro processo de selecção demonstrou ter mais competências para o cargo. Por outro lado, aqueles estagiários que desenvolvessem um bom trabalho poderiam continuar a ocupar o lugar.

Se olharmos para trás, vemos que o que era ontem não tem de ser o que é hoje. O exemplo mais recente, sem tomar partidos, foi o da alteração da lei do aborto. Esta questão dos municípios não é tão polémica e será mais dificil de modificar, mas porque não acender o primeiro fósforo?

Penso que tanto o voluntariado como a espiral destes concursos públicos são dois pontos que não podemos esquecer. Digam-me a vossa opinião, um abraço a todos.

quarta-feira, 25 de Julho de 2007

Foco de Luz


Como ja se falou em comentários deste blogue da auto-estima dos psicólogos, gostaria que partilhassem connosco a vossa vida profissional. Ouvimos repetidamente casos de insucesso e isso continua e continuará a ser algo no qual temos de investir para modificar. Contudo, termos conhecimento de casos de sucesso é uma forma de reforçar uma visão optimista que poderá estar perdida algures. Falem-nos do vosso percurso, aconselhem quem se está a iniciar e expliquem-nos de que forma as vossas iniciativas, persistência, e gosto pela profissão vos permitiu um "lugar ao sol" ainda que seja pequenino, mas com todo o mérito na mesma. Todos teremos a ganhar com as vossas histórias e exemplos, e uma pequena conquista vossa será uma grande motivação para muitos psicólogos e futuros psicólogos. Se por acaso o vosso percurso estiver um pouco minado com o factor C, é importante que o mencionem, não como forma de julgamento pois agarraram a vossa oportunidade (como qualquer pessoa faria), mas para que possamos distinguir.

Um abraço a todos!

quarta-feira, 11 de Julho de 2007

Voluntariado de Psicólogos



Devido às dificuldades de implementação no mercado de trabalho, muitos psicólogos fazem voluntariado nas mais diversas instituições. É compreensível que após meses ou mesmo anos de procura, a saturação e a vontade de trabalhar na área levem ao trabalho gratuito de profissionais especializados. No entanto, esta é uma bola de neve que teima em crescer, e precisamos de tomar consciência de que os principais responsáveis pelas suas consequências somos nós mesmos - os psicólogos.
Cada voluntário está a retirar um possível local de trabalho, sob a expectativa de que mais tarde ou mais cedo uma luz ao fundo do túnel surgirá. Sabemos que isso não é verdade, e deparamo-nos constantemente com voluntários que após meses ou mesmo anos de serviço, são rapidamente substituídos por outro profissional que entretanto aparece (não sabemos bem de onde), na eventualidade de colocação. Mesmo que um em muitos tenha a sorte de ficar, não justifica os danos que isto causa.
Se nos sujeitarmos, qualquer instituição prefere não pagar, portanto o fundamental é recusarmo-nos firmemente a ocupar essa posição. Já há quem quase "mendigue" um lugar como voluntário, chegando-se ao ponto de pagar para poder trabalhar, como é o caso do HSM. Como podemos chegar a este ponto? Querer trabalhar na área não é razão para mantermos esta situação, e como se costuma dizer: "os fins não justificam os meios". Há outras formas manter a "chama" da psicologia acesa, com formações, investigação ou desenvolvimento de projectos. Até lá, trabalhos paralelos podem financiar todo esse investimento e mais tarde ou mais cedo o fundamental é acreditar que um lugar surgirá.
Uma coisa é certa: se todos os psicólogos voluntários deixassem os locais de trabalho, as instituições teriam obrigatoriamente de contratar. Imaginem as dezenas de psicólogos voluntários do Júlio de Matos a deixarem de comparecer...seria o caos. Se o médico, o enfermeiro, a empregada de limpeza ou o segurança são necessários para o funcionamento quotidiano, e são pagos, porque razão não acreditam que vocês também merecem ser? O nosso trabalho tem vindo a ser cada vez mais valorizado, mas não vamos esperar que façam o resto por nós...porque o estado da psicologia em Portugal, são os psicólogos que o fazem.
A própria população é prejudicada com esta situação, porque a motivação de um profissional que não tem perspectivas de carreira é dificil de manter. Inevitavelmente o investimento na relação com o Outro vai diminuindo, e não podemos passar a mensagem que psicologia é caridade. Isto retira-nos credibilidade e a interiorização de que um psicólogo é um profissional com o mesmo valor de outro qualquer, que tem a sua própria área de intervenção.
Gostava de saber as vossas opiniões e também algum testemunho de quem faz ou já fez voluntariado. Um abraço.